Resenha Pedagogia da Autonomia - autor Paulo Freire
Paulo Freire (1996). Pedagogia da autonomia: Saberes
necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 165 p. Review by Claudilene Sena de Oliveira
Kerber (CELES). (First appeared in:
La Salle: Revista de Educação;, Ciência e Cultura/Centro Educacional La Salle
de Ensino Superior (CELES) v. 3, n. 7, (Outono de 1998). Reproduced with permission.)
Freire introduz Pedagogia da autonomia explicando suas
razões para analisar a prática pedagógica do professor em relação à autonomia
de ser e de saber do educando. Enfatiza a necessidade de respeito ao
conhecimento que o aluno traz para a escola, visto ser ele um sujeito social e
histórico, e da compreensão de que "formar é muito mais do que puramente
treinar o educando no desempenho de destrezas" (p.. 15). Define essa
postura como ética e defende a idéia de que o educador deve buscar essa ética,
a qual chama de "ética universal do ser humano"(p. 16), essencial
para o trabalho docente.
Não podemos nos assumir como
sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção, como sujeitos
históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos (...)
É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos
com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar (p. 17 e 19).
Em sua análise, menciona
alguns itens que considera fundamentais para a prática docente, enquanto
instiga o leitor a criticá-lo e acrescentar a seu trabalho outros pontos
importantes. Inicia afirmando que "não há docência sem discência" (p.
23), pois "quem forma se forma e re-forma ao formar, e quem é formado
forma-se e forma ao ser formado" (p.25). Dessa forma, deixa claro que o
ensino não depende exclusivamente do professor, assim como aprendizagem não é
algo apenas de aluno. "Não há docência sem discência, as duas se explicam,
e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à
condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende
ensina ao aprender" (p. 25).
Justifica assim o pensamento
de que o professor não é superior, melhor ou mais inteligente, porque domina
conhecimentos que o educando ainda não domina, mas é, como o aluno,
participante do mesmo processo da construção da aprendizagem.
Segue sua análise colocando
como absolutamente necessário o rigor metódico e intelectual que o educador
deve desenvolver em si próprio, como pesquisador, sujeito curioso, que busca o
saber e o assimila de uma forma crítica, não ingênua, com questionamentos, e
orienta seus educandos a seguirem também essa linha metodológica de estudar e
entender o mundo, relacionando os conhecimentos adquiridos com a realidade de
sua vida, sua cidade, seu meio social. Afirma que "não há ensino sem
pesquisa nem pesquisa sem ensino" (p. 32). Esse pesquisar, buscar e
compreender criticamente só ocorrerá se o professor souber pensar. Para Freire,
saber pensar é duvidar de suas próprias certezas, questionar suas verdades. Se
o docente faz isso, terá facilidade de desenvolver em seus alunos o mesmo
espírito.
O professor que pensa certo
deixa transparecer aos educandos que uma das bonitezas de nossa maneira de
estar no mundo e com o mundo, como seres históricos, é a capacidade de,
intervindo no mundo, conhecer o mundo (...) Ensinar, aprender e pesquisar lidam
com dois momentos: o em que se aprende o conhecimento já existente e o em que
se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente (p.31).
Ensinar, para Freire, requer
aceitar os riscos do desafio do novo, enquanto inovador, enriquecedor, e
rejeitar quaisquer formas de discriminação que separe as pessoas em raça,
classes... É ter certeza de que faz parte de um processo inconcluso, apesar de
saber que o ser humano é um ser condicionado, portanto há sempre possibilidades
de interferir na realidade a fim de modificá-la. Acima de tudo, ensinar exige
respeito à autonomia do ser do educando.
O respeito à autonomia e à
dignidade de cada um é imperativo ético e não um favor que podemos ou não
conceder uns aos outros (...) O professor que desrespeita a curiosidade do
educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais
precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno,
que o minimiza, que manda que "ele se ponha em seu lugar" ao mais tênue
sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do
cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta
ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora
do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa
existência (p. 66).
É importante que professores
e alunos sejam curiosos, instigadores. "É preciso, indispensável mesmo,
que o professor se ache repousado no saber de que a pedra fundamental é a
curiosidade do ser humano" (p. 96). Faz-se necessário, portanto, que se
proporcionem momentos para experiências, para buscas. O professor precisa estar
disposto a ouvir, a dialogar, a fazer de suas aulas momentos de liberdade para
falar, debater e ser aberto para compreender o querer de seus alunos. Para
tanto, é preciso querer bem, gostar do trabalho e do educando. Não com um
gostar ou um querer bem ingênuo, que permite atitudes erradas e não impõe
limites, ou que sente pena da situação de menos experiente do aluno, ou ainda
que deixa tudo como está que o tempo resolve, mas um querer bem pelo ser humano
em desenvolvimento que está ao seu lado, a ponto de dedicar-se, de doar-se e de
trocar experiências, e um gostar de aprender e de incentivar a aprendizagem, um
sentir prazer em ver o aluno descobrindo o conhecimento.
É digna de nota a capacidade
que tem a experiência pedagógica para despertar, estimular e desenvolver em nós
o gosto de querer bem e gosto da alegria sem a qual a prática educativa perde o
sentido. É esta força misteriosa, às vezes chamada vocação, que explica a quase
devoção com que a grande maioria do magistério nele permanece, apesar da
imoralidade dos salários. E não apenas permanece, mas cumpre, como pode, seu
dever (p. 161).
Nessa obra, portanto, expondo os saberes que considera necessários à prática docente, Paulo Freire orienta ao mesmo tempo que incentiva os educadores e educadoras a refletirem sobre seus fazeres pedagógicos, modificando aquilo que acharem preciso, mas especialmente aperfeiçoando o trabalho, além de fazerem a cada dia a opção pelo melhor, não de forma ingênua, mas com certeza de que, se há tentativas, há esperanças e possibilidades de mudanças daquilo que em sua visão necessita mudar.
Nessa obra, portanto, expondo os saberes que considera necessários à prática docente, Paulo Freire orienta ao mesmo tempo que incentiva os educadores e educadoras a refletirem sobre seus fazeres pedagógicos, modificando aquilo que acharem preciso, mas especialmente aperfeiçoando o trabalho, além de fazerem a cada dia a opção pelo melhor, não de forma ingênua, mas com certeza de que, se há tentativas, há esperanças e possibilidades de mudanças daquilo que em sua visão necessita mudar.
Resumo do livro Pedagogia da
Autonomia
A Pedagogia da Autonomia é
um livro pequeno em tamanho, mas gigante em esperança e otimismo, que condena
as mentalidades fatalistas que se conformam com a ideologia imobilizante de que
"a realidade é assim mesmo, que podemos fazer?" Para estes basta o
treino técnico indispensável à sobrevivência. Em Paulo Freire, educar é
construir, é libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal,
reconhecendo que a história é um tempo de possibilidades. É um "ensinar a
pensar certo" como quem "fala com a força do testemunho". É um
"ato comunicante, co-participado", de modo algum produto de uma mente
"burocratizada". No entanto, toda a curiosidade de saber exige uma
reflexão crítica e prática, de modo que o próprio discurso teórico terá de ser
aliado à sua aplicação prática.
Ensinar é algo de profundo e dinâmico onde a questão de identidade cultural que atinge a dimensão individual e a classe dos educandos, é essencial à "prática educativa progressista". Portanto, torna-se imprescindível "solidariedade social e política para se evitar um ensino elitista e autoritário como quem tem o exclusivo do "saber articulado". E de novo, Freire salienta, constantemente, que educar não é a mera transferência de conhecimentos, mas sim conscientização e testemunho de vida, senão não terá eficácia.
Igualmente, para ele, educar é como viver, exige a consciência do inacabado porque a "História em que me faço com os outros (...) é um tempo de possibilidades e não de determinismo"(p.58). No entanto, tempo de possibilidades condicionadas pela herança do genético, social, cultural e histórico que faz dos homens e das mulheres seres responsáveis, sobretudo quando "a decência pode ser negada e a liberdade ofendida e recusada"(p.62).
Segundo Freire, "o educador que 'castra' a curiosidade do educando em nome da eficácia da memorização mecânica do ensino dos conteúdos, tolhe a liberdade do educando, a sua capacidade de aventurar-se. Não forma, domestica"(p.63). A autonomia, a dignidade e a identidade do educando tem de ser respeitada, caso contrário, o ensino tornar-se-á "inautêntico, palavreado vazio e inoperante"(p.69). E isto só é possível tendo em conta os conhecimentos adquiridos de experiência feitos" pelas crianças e adultos antes de chegarem à escola.
Para Freire, o homem e a mulher são os únicos seres capazes de aprender com alegria e esperança, na convicção de que a mudança é possível. Aprender é uma descoberta criadora, com abertura ao risco e a aventura do ser, pois ensinando se aprende e aprendendo se ensina. Neste sentido, afirma que qualquer iniciativa de alfabetização só toma dimensão humana quando se realiza a "expulsão do opressor de dentro do oprimido", como libertação da culpa (imposta) pelo "seu fracasso no mundo". Por outro lado, Freire insiste na "especificidade humana" do ensino, enquanto competência profissional e generosidade pessoal, sem autoritarismos e arrogância. Só assim, diz ele, nascerá um clima de respeito mútuo e disciplina saudável entre "a autoridade docente e as liberdades dos alunos, (...) reinventando o ser humano na aprendizagem de sua autonomia"(p.105). Conseqüentemente, não se poderá separar "prática de teoria, autoridade de liberdade, ignorância de saber, respeito ao professor de respeito aos alunos, ensinar de aprender” (p.106-107).
Ensinar é algo de profundo e dinâmico onde a questão de identidade cultural que atinge a dimensão individual e a classe dos educandos, é essencial à "prática educativa progressista". Portanto, torna-se imprescindível "solidariedade social e política para se evitar um ensino elitista e autoritário como quem tem o exclusivo do "saber articulado". E de novo, Freire salienta, constantemente, que educar não é a mera transferência de conhecimentos, mas sim conscientização e testemunho de vida, senão não terá eficácia.
Igualmente, para ele, educar é como viver, exige a consciência do inacabado porque a "História em que me faço com os outros (...) é um tempo de possibilidades e não de determinismo"(p.58). No entanto, tempo de possibilidades condicionadas pela herança do genético, social, cultural e histórico que faz dos homens e das mulheres seres responsáveis, sobretudo quando "a decência pode ser negada e a liberdade ofendida e recusada"(p.62).
Segundo Freire, "o educador que 'castra' a curiosidade do educando em nome da eficácia da memorização mecânica do ensino dos conteúdos, tolhe a liberdade do educando, a sua capacidade de aventurar-se. Não forma, domestica"(p.63). A autonomia, a dignidade e a identidade do educando tem de ser respeitada, caso contrário, o ensino tornar-se-á "inautêntico, palavreado vazio e inoperante"(p.69). E isto só é possível tendo em conta os conhecimentos adquiridos de experiência feitos" pelas crianças e adultos antes de chegarem à escola.
Para Freire, o homem e a mulher são os únicos seres capazes de aprender com alegria e esperança, na convicção de que a mudança é possível. Aprender é uma descoberta criadora, com abertura ao risco e a aventura do ser, pois ensinando se aprende e aprendendo se ensina. Neste sentido, afirma que qualquer iniciativa de alfabetização só toma dimensão humana quando se realiza a "expulsão do opressor de dentro do oprimido", como libertação da culpa (imposta) pelo "seu fracasso no mundo". Por outro lado, Freire insiste na "especificidade humana" do ensino, enquanto competência profissional e generosidade pessoal, sem autoritarismos e arrogância. Só assim, diz ele, nascerá um clima de respeito mútuo e disciplina saudável entre "a autoridade docente e as liberdades dos alunos, (...) reinventando o ser humano na aprendizagem de sua autonomia"(p.105). Conseqüentemente, não se poderá separar "prática de teoria, autoridade de liberdade, ignorância de saber, respeito ao professor de respeito aos alunos, ensinar de aprender” (p.106-107).
A idéia de coerência
profissional, indica que o ensino exige do docente comprometimento existencial,
do qual nasce autêntica solidariedade entre educador e educandos, pois ninguém
se pode contentar com uma maneira neutra de estar no mundo. Ensinar, por
essência, é uma forma de intervenção no mundo, uma tomada de posição, uma
decisão, por vezes, até uma ruptura com o passado e o presente. Pois, quando
fala de "educação como intervenção", Paulo Freire refere-se a
mudanças reais na sociedade: no campo da economia, das relações humanas, da
propriedade, do direito ao trabalho, à terra, à educação, à
saúde(...)"(p.123), em referência clara a situação no Brasil e noutros países
da América Latina.
Para Freire, a educação é
ideológica mas dialogante e atentiva, para que se possa estabelecer a autêntica
comunicação da aprendizagem, entre gente, com alma, sentimentos e emoções,
desejos e sonhos. A sua pedagogia é "fundada na ética, no respeito à
dignidade e à própria autonomia do educando"(p.11). E é "vigilante
contra todas as práticas de desumanização"(p.12). É necessário que "o
saber-fazer da auto reflexão crítica e o saber-ser da sabedoria exercitada
ajudem a evitar a "degradação humana" e o discurso fatalista da
globalização"(p.12).
Para Paulo Freire o ensino é
muito mais que uma profissão, é uma missão que exige comprovados saberes no seu
processo dinâmico de promoção da autonomia do ser de todos os educandos. Os
princípios enunciados por Paulo Freire, o homem, o filósofo, o Professor que
por excelência verdadeiramente promoveu a inclusão de todos os alunos e alunas
numa escolaridade que dignifica e respeita os educandos porque respeita a sua
leitura do mundo como ponte de libertação e autonomia de ser pensante e
influente no seu próprio desenvolvimento. A Pedagogia da Autonomia é sem dúvida
uma das grandes obras da humanidade em prol duma educação que respeita todo o
educando (incluindo os mais desfavorecidos) e liberta o seu pensamento de
tradições desumanizantes - porque opressoras. A esperança e o otimismo na
possibilidade da mudança são um passo gigante na construção e formação
científica do professor ou da professora que "deve coincidir com sua
retidão ética" (p.18). Paulo Freire, um Professor que através da sua vida
não só procurou perceber os problemas educativos da sociedade brasileira e
mundial, mas propôs uma prática educativa para os resolver. Esta ensina os
professores e as professoras a navegar rotas nos mares da educação orientados
por uma bússola que aponta entre outros os seguintes pontos cardeais:
A rigorosidade metódica e a
pesquisa, a ética e estética, a competência profissional, o respeito pelos
saberes do educando e o reconhecimento da identidade cultural, a rejeição de
toda e qualquer forma de discriminação, a reflexão crítica da prática
pedagógica, a corporeificação, o saber dialogar e escutar, o querer bem aos
educandos, o ter alegria e esperança, o ter liberdade e autoridade, o ter
curiosidade, o ter a consciência do inacabado... Como princípios basilares a
uma prática educativa que transforma educadores e educandos e lhes garante o
direito a autonomia pessoal na construção duma sociedade democrática que a
todos respeita e dignifica.
Paulo Freire demonstra a
todos os falantes da língua portuguesa, acostumados à maneira masculina de ver
o mundo, a qual tem mantido invisível metade da humanidade os seres femininos,
que a língua Portuguesa também nos proporciona as possibilidades do uso de
linguagem que respeita a comparticipação visível e dignificante da mulher no
mundo atual. Para Paulo Freire não existe unicamente o homem, o professor, o
aluno, o pai mas também a mulher, a professora, a aluna, a mãe! A impressão
geral do livro é que Paulo Freire escreve e discursa, acima de tudo, com amor
pelo que faz. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e
se complementam, às vezes de maneira sutil, e em outras ocasiões de maneira
objetiva e absolutamente sincera. Uma das principais mensagens que o autor
deixa nesta obra, ao meu ver, é o significado do ensinar. É com a mais
brilhante vocação que o autor mostra em simples palavras que ensinar é todo um
processo de troca entre aluno e professor, onde ambos aprendem, ambos adquirem
e sanam dúvidas, ambos crescem como seres humanos. É a mensagem de que para
ensinar precisamos, antes de mais nada, ter a consciência da importância e da
beleza desta tarefa, da importância de se poder fazer a diferença num sistema
socio-econômico-político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles
que não dispõe de meios financeiros para obter cultura e informação. Enfim, o
professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar, e nos fornece com um
pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale a pena.
Pedagogia da Autonomia:
saberes necessários à prática educativa. Paulo Freire A temática central deste
livro é a formação de professores, inserida numa reflexão sobre a prática
educativo- progressista em favor da AUTONOMIA dos alunos (pois FORMAR é muito
mais do que simplesmente EDUCAR).Na verdade, o enfoque não foge muito do que
poderia ser chamado de "ética do ensino", procurando alertar o leitor
sobre a diferença entre treinar, ensinar e educar, temas freqüentes na obra
deste autor.
Grande parte do livro é
dedicada a discussões sobre o quanto as atitudes que o professor toma dentro de
sala e fora dela influenciam o que ele passa para seus alunos, englobando desde
recomendações sobre a tomada de consciência de que os alunos têm uma cultura e
uma curiosidade que precedem a imposição da escola, a discussão sobre a mudança
de "curiosidade ingênua" para "curiosidade epistemológica"
(que não diferem em sua essência, mas em sua complexidade, pois enquanto aquela
se baseia apenas na experiência cotidiana, esta é dotada do rigor metódico, do
criticismo), até a consideração dos educandos como seres humanos, portanto,
seres histórico-sociais dotados de uma noção mínima de ética. O autor não fecha
os olhos para as injustiças que acontecem com os "esfarrapados do
mundo". Está ao lado deles, embora não aceite que, para que as injustiças
acabem, ações terroristas sejam tomadas.
Os professores têm grande
responsabilidade ao ensinar e devem ser dotados de ÉTICA (universal do ser
humano, sem cinismos), sendo esta intimamente relacionada ao seu preparo
científico, combatendo a malvadez da ética de mercado mundial (baseada em
lucros). Paulo Freire beira o moralismo quando se põe a discutir sobre os
preconceitos embutidos consciente ou insconscientemente no processo educativo.
Discute desde frases do tipo "Maria é negra, mas é bondosa e
competente" e até justifica sua raiva frente a posturas deste tipo. Beira
o moralismo também quando se refere a crianças de escola pública que depredam o
próprio patrimônio (ou seja, a escola), porque "como cobrar das crianças
um mínimo de respeito (...) se o Poder Público revela absoluta desconsideração à
coisa pública?". Ele mesmo percebe isso, e freqüentemente se dirige ao
leitor para que ele lembre que não está sendo descrita uma "educação de
anjos", mas uma "educação de homens e mulheres". Talvez isso
seja uma reflexão de ideologia esquerdista, sobre a qual também existe menção,
tendo como foco os professores que se dizem "progressistas" mas se
renderam à rotina neocapitalista. Freire parece, então, não utópico, mas
excessivamente confiante na vontade das pessoas de se tornarem melhores (i.e.
apoiarem atitudes "progressistas"). Existe ainda uma preocupação com
a caracterização do meio escolar como um meio de convívio social onde existem
exemplos humanos além dos que se encontram nos livros didáticos, e como o
professor é um desses exemplos, ele deve ter plena consciência disso, e
portanto julgar as próprias ações. Freire não insiste, neste livro, no aspecto
teórico da epistemologia, mas sempre recomenda a postura crítica frente a
qualquer atitude, seja ela um conteúdo escolar ou não, porque essa postura crítica
é o que caracteriza a "curiosidade epistemológica" e permite que, uma
vez identificados os erros, sejam feitas mudanças. E essas mudanças são aquelas
que levariam à melhoria das condições de vida de cada um, ou ao progresso.
Freire tem, no entanto,
várias distorções de visão, pois além de várias vezes ser utópico, sugere que
se leve discussões políticas para a sala de aula (o que é negativo para a
formação de Ciências Sociais, porque a ideologia do professor contamina o que
ele se dispuser a discutir) e ainda tem uma visão excessivamente centrada no
ser humano, colocando animais (inclusive mamíferos) como seres inferiores (o
que é negativo principalmente na formação de Ciências Naturais).
Com base nestes apontamentos
iniciais, podem ser citadas algumas das considerações sobre a prática docente:
1) Deve existir uma reflexão crítica entre a relação Teoria/ Prática, para que
nenhuma perca seu sentido ou importância. 2) O professor não pode somente
transferir conhecimento, devendo haver uma troca de ensinamentos e
aprendizagens entre educador e educando (este, cada vez mais curioso, poderá
criar sempre mais). O professor deve estar aberto aos questionamentos e
dificuldades dos alunos. Entretanto, se o aluno foi submetido a um falso
ensinar, isto não significa que ele está condenado, pois se ele tiver
curiosidade e capacidade de se arriscar, pode superar esta falha. 3) É preciso
reforçar a capacidade crítica do educando e sua insubmissão, dentro de uma
rigorosidade metódica, para que ele não se torne um simples
"memorizador". 4) Os conhecimentos dos alunos têm que ser
respeitados, principalmente daqueles vindos de classes mais baixas, e
aplicá-los aos conteúdos ensinados (REALIDADE DENTRO DO APRENDIZADO). 5) A
crítica deve estar inserida no ensino, a partir da curiosidade dos alunos.
Esta, inicialmente ingênua, ao ser superada, pode tornar- se epistemológica,
com a aplicação da prática pedagógico- progressista. 6) Necessidade de decência
e pureza (que não pode ser entendida como puritanismo). Se o ensino for transformado
em pura técnica, o educador distancia- se da ética. - Não deve haver
discriminação, pois esta prática fere a dignidade do ser humano e não se aplica
à democracia. 7) É necessário ensinar o educando a PENSAR CERTO. 8) Deve- se
assumir a identidade cultural de cada um, assunção esta incompatível com os
pensamentos elitistas. 9) O professor tem que estar ciente de que suas atitudes
podem influenciar profundamente a vida de um aluno, positiva ou negativamente.
10) O conhecimento do professor precisa ser vivido por ele, encarnado, para que
se transforme em prática aplicável.11) O ensino e sua prática não podem ser
tratados como algo definitivo, são passíveis de mudança. O ser humano também é
inacabado e justamente por isso, o ato de ensinar/aprender deve ser permanente.
12) É necessária a consciência de que as pessoas podem ser CONDICIONADAS de
acordo com o meio. Porém, isto não significa que elas sejam DETERMINADAS por
ele (os obstáculos não são eternos). 13) O respeito pela autonomia do aluno é
exigido pela ética. Cada um possui particularidades e pensamentos que não podem
ser minimizados ou ridicularizados. Se isto acontecer, a ética é transgredida. -
Bom senso. Autoridade não pode ser entendida como autoritarismo. O professor
tem que entender, em certas ocasiões, pontos falhos do aluno. Ao invés de
reprimi-lo, tem que ajudá-lo, com humildade e tolerância. 14) Sobre a
avaliação: seria boa uma forma na qual fosse feita junto com os alunos, pois a
avaliação é para eles, e não para o educador. 15) Para a realização da docência
decente, devem existir condições favoráveis, higiênicas, espaciais e estéticas.
O corpo docente deve lutar pelos seus direitos (como um salário digno), isto
faz parte da prática de lecionar. 16) Se a educação é ofendida (principalmente
nas escolas públicas), o professor deve tomar uma postura política que o
permita lutar contra esta ofensa, além de repensar sobre a eficácia das greves.
17) Deve haver alegria e esperança. A esperança faz parte do ser humano, e
negá-la contradiz a prática progressista da educação e a ética (sempre contra a
frase: "O QUE FAZER? A REALIDADE É ASSIM MESMO"). 18) O futuro deve
ser tratado como problema, que pode ser solucionado, e não como inexorável. Com
base nisso, o professor tem que estar convencido de que mudanças são possíveis,
por exemplo, com relação aos favelados e aos sem- terra. 19) O professor, assim
como o aluno, também é movido pela curiosidade. Ela é a mola propulsora do
aprendizado e do ensino do educador, da construção e produção de conhecimentos.
Proporciona um diálogo entre o professor e o aluno. Porém, este diálogo não
deve ser tratado como apenas um vai- vem de perguntas e respostas: momentos
explicativos do educador são necessários. 20) É preciso tomar muito cuidado com
a relação autoridade- liberdade, sempre ameaçadas pela prática do autoritarismo
e da licenciosidade, prática esta que pode acabar levando a disciplina à
indisciplina. 21) O educador tem que ser seguro, competente e generoso,
atitudes estas que exigem esforço e moralidade. 22) Não se deve falar de cima
para baixo, achar que é o dono da verdade. Um educador não deve falar PARA o
educando, mas sim COM ele, e isso só é possível quando o educador sabe escutar.
Porém, a escuta não deve ser passiva, ela é uma boa forma de se fazer questionamentos
sobre o que está sendo exposto, de defender uma opinião própria. Isto pode ser
refletido numa maneira crítica e justa de avaliação.
Existem, então, após todos
estes apontamentos, algumas relações que nunca podem ser desenlaçadas, para que
a pedagogia da autonomia seja aplicável: ensino dos conteúdos com formação
ética dos educandos, prática com teoria, ignorância com saber (seja de educador
ou educando), autoridade com liberdade, respeito ao professor com respeito ao
aluno, ensinar com aprender. Todas elas devem ser respeitadas e tratadas com
responsabilidade. Aspectos políticos também sempre devem ser levados em conta.
Classes dominantes enxergam a educação como IMOBILIZADORA E OCULTADORA de
verdades. Entretanto, a educação é uma forma de se intervir no mundo. Contudo,
deve ficar muito claro para o educador que a autonomia não vem de um dia para o
outro, leva tempo para ser construída. Um grande cuidado também é extremamente
necessário ao educador: de que a educação é ideológica e que, dependendo da
ideologia, ele pode acabar aceitando idéias perigosas (o mundo é assim, não
está assim, por exemplo).
E, por fim, deve ficar muito
claro que uma docência decente, de qualidade, não se separa da afetividade que
o professor tem por seus alunos (embora ela não deva interferir, por exemplo na
avaliação, e nem signifique que o educador deva amar todos seus alunos de
maneira igual).
Freire introduz a Pedagogia
da Autonomia explicando suas razões para analisar a prática pedagógica do
professor em relação à autonomia de ser e de saber do educando. Enfatiza a
necessidade de respeito ao conhecimento que o aluno traz para a escola, visto
ser ele um sujeito social e histórico, e da compreensão de que "formar é
muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas"
(p.. 15). Define essa postura como ética e defende a idéia de que o educador
deve buscar essa ética, a qual chama de "ética universal do ser
humano" (p. 16), essencial para o trabalho docente. Não podemos nos
assumir como sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção, como
sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos
éticos (...) É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se
trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar (p. 17 e
19). Em sua análise, menciona alguns itens que considera fundamentais para a
prática docente, enquanto instiga o leitor a criticá-lo e acrescentar a seu
trabalho outros pontos importantes. Inicia afirmando que "não há docência
sem discência" (p. 23), pois "quem forma se forma e re-forma ao
formar, e quem é formado forma-se e forma ao ser formado" (p.25). Dessa
forma, deixa claro que o ensino não depende exclusivamente do professor, assim
como aprendizagem não é algo apenas de aluno. "Não há docência sem
discência, as duas se explicam, e seus sujeitos, apesar das diferenças que os
conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende
ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender" (p. 25). Justifica assim o
pensamento de que o professor não é superior, melhor ou mais inteligente,
porque domina conhecimentos que o educando ainda não domina, mas é, como o
aluno, participante do mesmo processo da construção da aprendizagem.
Segue sua análise colocando
como absolutamente necessário o rigor metódico e intelectual que o educador
deve desenvolver em si próprio, como pesquisador, sujeito curioso, que busca o
saber e o assimila de uma forma crítica, não ingênua, com questionamentos, e
orienta seus educandos a seguirem também essa linha metodológica de estudar e
entender o mundo, relacionando os conhecimentos adquiridos com a realidade de
sua vida, sua cidade, seu meio social. Afirma que "não há ensino sem
pesquisa nem pesquisa sem ensino" (p. 32). Esse pesquisar, buscar e compreender
criticamente só ocorrerá se o professor souber pensar. Para Freire, saber
pensar é duvidar de suas próprias certezas, questionar suas verdades. Se o
docente faz isso, terá facilidade de desenvolver em seus alunos o mesmo
espírito.
O professor que pensa certo
deixa transparecer aos educandos que uma das bonitezas de nossa maneira de
estar no mundo e com o mundo, como seres históricos, é a capacidade de,
intervindo no mundo, conhecer o mundo (...) Ensinar, aprender e pesquisar lidam
com dois momentos: o em que se aprende o conhecimento já existente e o em que
se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente (p.31). Ensinar,
para Freire, requer aceitar os riscos do desafio do novo, enquanto inovador,
enriquecedor, e rejeitar quaisquer formas de discriminação que separe as
pessoas em raça, classes... É ter certeza de que faz parte de um processo
inconcluso, apesar de saber que o ser humano é um ser condicionado, portanto há
sempre possibilidades de interferir na realidade a fim de modificá-la. Acima de
tudo, ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando. O respeito à
autonomia e à dignidade de cada um é imperativo ético e não um favor que
podemos ou não conceder uns aos outros (...) O professor que desrespeita a
curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua
linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que
ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que "ele se ponha em seu
lugar" ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o
professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à
liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente
presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios
fundamentalmente éticos de nossa existência (p. 66). É importante que
professores e alunos sejam curiosos, instigadores. "É preciso,
indispensável mesmo, que o professor se ache repousado no saber de que a pedra
fundamental é a curiosidade do ser humano" (p. 96). Faz-se necessário, portanto,
que se proporcionem momentos para experiências, para buscas. O professor
precisa estar disposto a ouvir, a dialogar, a fazer de suas aulas momentos de
liberdade para falar, debater e ser aberto para compreender o querer de seus
alunos. Para tanto, é preciso querer bem, gostar do trabalho e do educando. Não
com um gostar ou um querer bem ingênuo, que permite atitudes erradas e não
impõe limites, ou que sente pena da situação de menos experiente do aluno, ou
ainda que deixa tudo como está que o tempo resolve, mas um querer bem pelo ser
humano em desenvolvimento que está ao seu lado, a ponto de dedicar-se, de
doar-se e de trocar experiências, e um gostar de aprender e de incentivar a
aprendizagem, um sentir prazer em ver o aluno descobrindo o conhecimento. É
digna de nota a capacidade que tem a experiência pedagógica para despertar,
estimular e desenvolver em nós o gosto de querer bem e gosto da alegria sem a
qual a prática educativa perde o sentido. É esta força misteriosa, às vezes
chamada vocação, que explica a quase devoção com que a grande maioria do
magistério nele permanece, apesar da imoralidade dos salários. E não apenas
permanece, mas cumpre, como pode, seu dever (p. 161). Nessa obra, portanto,
expondo os saberes que considera necessários à prática docente, Paulo Freire
orienta ao mesmo tempo que incentiva os educadores e educadoras a refletirem
sobre seus fazeres pedagógicos, modificando aquilo que acharem preciso, mas
especialmente aperfeiçoando o trabalho, além de fazerem a cada dia a opção pelo
melhor, não de forma ingênua, mas com certeza de que, se há tentativas, há
esperanças e possibilidades de mudanças daquilo que em sua visão necessita
mudar.
Uma das tarefas primordiais
dos educadores é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que
devem se aproximar dos objetos cognicíveis. Resgatar nos saberes cotidianos,
ainda que vindos de curiosidade ingênua, o estímulo à capacidade criadora do
educando. A superação da ingenuidade levando à criticidade segundo pensar
correto de Freire demanda profundidade e superficialidade na compreensão e
interpretação dos fatos. Quem pensa certo é quem busca seriamente a segurança
na argumentação, e é o que discordando do seu oponente, não tem o porquê
contrair uma raiva desmedida. Quem observa, o faz segundo um ponto de vista,
mas não por isso situa o observador em erro, uma vez que o erro não está em ter
um ponto de vista, mas absolutizá-lo e desconhecer que, mesmo do acerto do seu
ponto de vista é possível que a razão ética nem sempre esteja com ele. O
inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital, onde há
vida, há inacabamento. A diferença entre um ser inacabado e o ser determinado é
que o primeiro muito embora seja condicionado, tem consciência do inacabamento.
O ser inacabado sabe que a passagem pelo mundo não é pré-determinada,
pré-estabelecida, e o seu “destino” não é um dado mas algo que precisa ser
feito e de sua própria responsabilidade.
Para ter segurança o
professor deve estudar e preparar suas aulas, deve se esforçar para estar à
altura de sua profissão. O esforço para atingir estas metas fornece a moral
necessária para que o professor transpareça a segurança de seus conhecimentos e
sua autoridade nos assuntos que vai ensinar. É ouvindo o aluno com paciência e
criticamente que aprendemos a falar com ele. Aprendendo a escutar o educando,
ouvindo suas dúvidas, em seus receios, em sua incompetência provisória, faz com
que o docente aprenda a falar com ele. O bom professor deve ser curioso e deve
provocar curiosidade. Esta curiosidade deve ser incentivada para que mantenha
viva a chama do querer saber, do querer entender. Se esta troca não ocorrer,
com o tempo o professor se verá diante de uma situação quase estática,
paternalista da maneira de ensinar, que impedem o exercício livre da
curiosidade. A curiosidade deve ser democrática. A curiosidade que silencia a
outra se nega a si própria. A educação deve também servir de meio e forma para
transformações sociais, mas deve-se ter consciência da sua indevida utilização
como meio de reprodução de ideologias dominantes. Na opinião de Paulo Freire,
não é possível ao bom professor ser um ser completamente apolítico, dado que
estará expondo suas opiniões e ensinando muitos conceitos baseados em sua visão
de mundo. Mas podem demonstrar que é possível mudar. E isto reforça nele ou
nela a importância de sua tarefa político–pedagógica.
Esta abertura ao querer bem
não significa que, como professor, obrigue a querer bem todos os alunos de
maneira igual. Significa, de fato, que a afetividade não deve assustar o
docente, que não deve ter medo de expressá-la. O professor deve descartar como
falsa a separação radical entre seriedade docente e afetividade.
Nossa impressão geral do
livro é que Paulo Freire escreve e discursa, acima de tudo, com amor pelo que
faz. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se
complementam, às vezes de maneira sutil, e em outras ocasiões de maneira
objetiva e absolutamente sincera. Uma das principais mensagens que o autor
deixa nesta obra, ao nosso ver, é o significado do ensinar. É com a mais
brilhante vocação que o autor nos mostra em simples palavras que ensinar é todo
um processo de troca entre aluno e professor, onde ambos aprendem, ambos
adquirem e sanam dúvidas, ambos crescem como seres humanos. É a mensagem de que
para ensinar precisamos, antes de mais nada, ter a consciência da importância e
da beleza desta tarefa, da importância de se poder fazer a diferença num
sistema socio-econômico-político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis
àqueles que não dispõe de meios financeiros para obter cultura e informação.
Enfim, o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar, e nos fornece com
um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale a
pena.
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